segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Quintas-Feiras Negras

Todos os estudantes que por cá andam sabem que, algures desde o início de Outubro e até finais de Dezembro, sensivelmente uma vez por semana sai uma convocatória. Ocasionalmente, duas ou três vezes no início do segundo semestre acontece o mesmo. Este costume remonta ao ano de 2011.

Todos os Veteranos e Doutores são convidados e os caloiros convocados a comparecer pelas 20h30 em determinado local. Na maioria das vezes junto da estátua de Egas Moniz, na Faculdade de Medicina, outras vezes no Estádio Univeristário, ou ainda na Reitoria.

Assim se iniciam as Quintas-Feiras Negras. Apesar do seu nome, acabam por ocorrer também à terça e quarta-feiras, por este representar um conceito e não um dia da semana: que o negro do nosso Traje nos acompanhe mais regularmente,  mesmo quando não há Quinta-Feira Negra.

As Quintas-Feiras Negras surgiram da necessidade de falar sobre Praxe, de preencher o vazio entre as primeiras semanas (em que ocorriam atividades Praxísticas diariamente) e a altura do batismo (que na FML se realiza em Março). Surgiram da necessidade de recuperar a Praxe, que é dos e para os estudantes, de explorar o que é, de falar do Código de Praxe, de falar de Fado, de História, de Tradição Académica. Surgiram da vontade de não deixar que o falar de Praxe, o pensar em Praxe, o viver a Praxe, se limitassem à binaridade do início do ano e da altura do batismo, principalmente numa altura em que não existia uma Queima como hoje a conhecemos.

Assim, durante algumas horas, os alunos juntam-se na tentativa de falar de Praxe, e não apenas praticar gozo ao caloiro. O regime varia muito, podendo ser mais sério ou mais jocoso. Por vezes há um tema comum, outras vezes é improvisado. No entanto, ultimamente, o objetivo tem sido deixar de haver um tema, possibilitando que cada estudante possa não só falar sobre Praxe, e praxar, mas também estar em Praxe.

As Quintas-Feiras Negras, pelo seu papel mais sério e ponderado comparativamente às vivências do início do ano, apelam-nos a sermos maiores. Apelam-nos a querer ser mais por esta Faculdade, mais por esta Casa, mais por esta Academia. Fazem-nos pensar nas questões que, talvez, nunca nos assaltariam a cabeça se não fôssemos postos em situações que nos levam a refletir sobre elas.

Não nos deixemos cair no conformismo. Continuemos, sempre, a desafiar-nos a pensar cada vez mais nas questões que têm que ser feitas e que nos permitem continuar a seguir em frente. Não tenhamos medo de ser maiores, e tenhamos a coragem de usar uma das mais bonitas tradições da nossa Casa.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

História Recente da Praxe na Faculdade de Medicina de Lisboa

Contrariamente ao que se possa imaginar, a Praxe Académica na Faculdade de Medicina de Lisboa assumia há alguns anos uma forma substancialmente diferente daquela que conhecemos nos dias de hoje. Há pouco mais de uma década, apresentava um caráter pontual, desprovido de conhecimento pela “Praxis” e pela Tradição Académica que lhe está inerente. Nessa altura, a Praxe Académica  na nossa Faculdade era reduzida à receção aos caloiros no início do ano letivo, quando alunos de anos curriculares mais avançados se vestiam de bata branca e desenvolviam um conjunto de atividades enquadradas na forma de “gozo ao caloiro”. Nessa mesma altura, eram poucos os estudantes que envergavam o Traje Académico, não existindo nenhum Código de Praxe ou outro tipo de atividades praxísticas.
Na última década, registaram-se profundas alterações a esta realidade: algumas práticas pontuais adquiriram um caráter contínuo e foram adotados protocolos com um cariz mais tradicional, existindo, desta forma, uma mudança de paradigma. Todo este processo de mudança foi ocorrendo gradualmente nos últimos anos, até chegarmos aos dias de hoje.
O início da rutura do paradigma descrito aconteceu em 2004. Nesse ano, alguns estudantes recém-chegados encontraram uma realidade diferente da que esperavam face ao contato prévio que tinham tido com outras instituições do Ensino Superior e face às vivências que tinham idealizado para o seu percurso universitário. Inconformados com aquilo que lhes era apresentado, construíram pontos de comunicação entre si, partilhando costumes e debatendo ideias. No ano que se seguiu, procuraram dar corpo a algumas delas, promovendo o uso do Traje Académico e organizando atividades ao abrigo da Praxe Académica. Desse modo, deu-se o primeiro passo no caminho da mudança. Apesar das resistências com que se foram deparando, surgiram alterações significativas no que diz respeito ao uso mais regular e protocolar do Traje Académico, à conduta dos intervenientes mais ativos, ao conhecimento que detinham sobre a Tradição Académica e à implementação de uma linha de continuidade nas atividades e eventos desenvolvidos. Das alterações em questão destacam-se a formação oficial da Comissão de Praxe em maio de 2009, o primeiro Código da Praxe em 2009/2010, a primeira Serenata ao Caloiro em 2011/2012, e a primeira Serenata Monumental em 2012/2013, mudanças essas que acabaram por servir de alicerces à realidade que se vive nos dias de hoje.
A par do crescimento e consolidação das práticas no seio da FML, surgiu o contato com outras instituições de Ensino Superior da cidade de Lisboa. O primeiro contato expressivo foi a tentativa de formação de uma Academia com várias faculdades pertencentes à Universidade de Lisboa, em 2011. Contudo, diferentes ideologias e práticas condicionaram este projeto, não tendo o mesmo culminado numa estrutura palpável. No mesmo ano, no seguimento de uma tertúlia dinamizada pelo Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da ULisboa, estas mesmas relações acabaram por se tornar mais próximas - nomeadamente entre a Faculdade de Medicina, o Instituto Superior Técnico (IST), a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV) e Faculdade de Medicina Dentária (FMD) - o que levou a que, em 2013, a nossa Faculdade participasse, pela primeira vez, no Cortejo da Latada do IST, a convite do mesmo . Este evento estendeu-se da Alameda de D. Afonso Henriques à Praça D. Pedro IV, constituindo um momento que despertou a consciência da Comunidade Académica da FML para horizontes mais alargados.
Em 2014,  o grupo de faculdades anteriormente mencionado iniciou, com alguma regularidade, a discussão de temas da “Praxis”, procurando descortinar os mitos/sentidos atribuídos a alguns conceitos. Nesse mesmo ano, o Cortejo da Latada passou a contar com a participação das restantes faculdades do grupo.
Assim, este conjunto de estudantes das quatro instituições organizou-se no sentido de estabelecer princípios e práticas comuns entre si, quer de modo a enriquecer as suas realidades, quer de modo a adotar e instituir práticas mais corretas no seio das suas comunidades.
Desde então, nos últimos anos, vários foram os passos dados nesta direcção, nomeadamente através de encontros periódicos entre as faculdades envolvidas, bem como através de encontros com outras faculdades e projeção de eventos comuns. Em maio de 2015 realizou-se a primeira Serenata Monumental e o primeiro Cortejo da Queima organizados pelas quatro Faculdades em conjunto. A Serenata Monumental teve lugar na Reitoria da Universidade de Lisboa e o Cortejo estendeu-se desde a Alameda da Universidade até à Alameda D. Afonso Henriques. Nos anos seguintes, a semana da Queima continuou a ser produzida, na sua faceta transversal, em conjunto, já com uma organização estruturada, criada em 2015 - a Comissão Organizadora da Queima.
A Faculdade que mais recentemente se juntou ao grupo foi a Faculdade de Psicologia e Instituto da Educação da Universidade de Lisboa, no ano letivo 2016/2017. Assim, e de olhos postos no futuro, evidencia-se a crescente procura destas faculdades por uma Lisboa cada vez mais dos estudantes, mais unida e em sintonia, na qual as práticas estudantis possam ter a sua devida expressão.

sábado, 23 de setembro de 2017

MANIFESTO




 
Caros novos alunos, pais e demais interessados,



Com o início do mês de setembro, inicia também um novo ano letivo, uma nova etapa. É com grande prazer que a Comissão de Praxe da Faculdade de Medicina de Lisboa (CPFML), em nome de toda a comunidade praxística, dá as boas vindas aos novos alunos, futuros colegas, amigos e “caloiros”.

A Praxe Académica é uma tradição secular que engloba um conjunto de usos, costumes e normas que governam as relações entre os estudantes do Ensino Superior. Esta é a essência em torno da qual se constrói cada atividade ao longo do ano, oferecendo, aos que lhe dão oportunidade, uma experiência única e memorável.

Ultimamente, os meios de comunicação têm relatado como notícia acontecimentos que associam a Praxe a atos de violência, humilhação e não dignificação do ser humano. Contudo, esta é uma realidade que queremos desconstruir. Defendemos que cada ação deve ser baseada no bom senso e respeito pela pessoa e pelos valores que lhe são inerentes, sendo só assim possível dignificar e perpetuar a Praxe Académica.  

Deste modo, existem pontos que consideramos fundamentais no exercício desta:

- A participação na Praxe é uma decisão voluntária, não existindo qualquer represália, discriminação ou exclusão para quem escolha não participar.

- Procuramos que as atividades e atos realizados em Praxe sejam pautados pelo respeito por cada estudante e pela segurança dos mesmos, não sendo tolerados excessos, atos de discriminação, violência ou ofensa à integridade de qualquer interveniente. Caso alguma circunstância excecional assim o exija, verificar-se-á a comunicação e colaboração com as autoridades competentes.

- A participação nas atividades desenvolvidas não pretende comprometer o desempenho académico de nenhum estudante, ocupando estas um tempo complementar às atividades curriculares.

- O traje é o símbolo do estudante do ensino superior, pelo que, qualquer aluno, participando ou não na Praxe, tem o direito de o usar.

- Em prol do crescimento da Tradição Académica em Lisboa, têm sido realizadas atividades conjuntamente com outras Faculdades da Universidade de Lisboa, promovendo também a partilha de vivências e união dos estudantes.

- A participação em qualquer tradição requer, tanto o conhecimento da sua história, como do significado dos seus símbolos e atos, pelo que convidamos cada um a ler o “Código de Praxe da FML" encontrando-se disponível no blog da CPFML (comissãodepraxefml.blogspot.pt).

- É através da comunicação e abertura a opiniões diferentes que conseguimos evoluir e melhorar diariamente, pelo que, enquanto Comissão de Praxe, encontramo-nos recetivos a qualquer dúvida, crítica ou sugestão através do contacto pessoal ou através do e-mail comissaodepraxefml@gmail.com.

A Tradição e a Praxe Académica são uma herança que recebemos dos nossos antecedentes, estando nas nossas mãos a sua defesa e perpetuação. Honremos o passado enquanto construímos o futuro, porque juntos podemos fazer a diferença.



DVRA PRAXIS, SED PRAXIS





Saudações Académicas,
A Comissão de Praxe da Faculdade de Medicina de Lisboa

quarta-feira, 10 de maio de 2017



Cara Comunidade Praxística,

Encontramo-nos já a poucas horas da Queima 2017, que certamente irá marcar cada um de nós com o seu toque especial. 
Recordam-se memórias passadas, e criam-se novas memórias, enquanto caminhamos e trabalhamos em conjunto, contribuindo para que, com o passar dos anos, este grande evento seja aprimorado e vivido com grande sentimento.
Juntos vamos mais longe! Juntos levamos a Queima até às ruas de Lisboa e, mostramos que unidos, construímos o caminho da mudança!

"CAPA QUE DEIXO, SAUDADE QUE ENCONTRO"

Viva a Queima! Viva!




sábado, 26 de novembro de 2016

Serenata ao Caloiro 2016





Cara Comunidade Praxística,


A Serenata ao Caloiro de 2016 ficará decerto na memória, com as guitarras a preencher o silêncio que todos proporcionaram. Demonstramos, mais uma vez, o que de melhor somos capazes de fazer.

Agora, damos agora lugar à recordação dessa noite, para que a possam reviver quando quiserem. Mostramos também, a todos os que quiserem ver, que também em Lisboa há Tradição, também em Lisboa há Serenata.
Podem encontrar neste link o nosso canal do YouTube, onde serão publicados todos os vídeos desta Serenata.



Saudações Académicas,


A Comissão de Praxe da Faculdade de Medicina de Lisboa