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PERSONA NOTABILIS | Pad'Zé

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Foi a 15 de abril de 1877, em Joanes, no concelho do Fundão, que nasceu Alberto António da Silva Costa. Filho da Beira interior, cedo enveredou nos caminhos do saber, entrando em 1895 na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Trazia consigo a marca do seminário onde estudara, e foi daí que nasceu o epíteto que o acompanharia para sempre: “Padre Zé”, abreviado na oralidade estudantil para Pad’Zé. Em Coimbra, não foi apenas estudante, afirmou-se como um espírito inquieto, crítico mordaz e voz incómoda. Apenas dois anos após entrar na Universidade de Coimbra, foi expulso por ter posto em causa o lente de filosofia Teixeira Bastos. Antes disso, vivera intensamente a boémia estudantil coimbrã: passeava pela Baixa, acompanhava serenatas, participava em pequenas bulhas e cultivava uma presença irreverente no quotidiano académico. Foi, porém, sobretudo pela agudeza do seu humor que se destacou. As suas piadas e anedotas, em que caricaturava com rara mestria lentes e estudantes, expon...

Origem do F.R.A.

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Há Tradições Académicas que atravessam gerações sem que alguém pare verdadeiramente para pensar de onde vieram. O Grito Académico F.R.A. é uma delas: permanece vivo, vibrante e reconhecível, mesmo que poucos conheçam a sua origem ou compreendam plenamente o seu significado. Usado há décadas nos mais variados contextos estudantis, o grito divide-se tradicionalmente em duas partes. A primeira é a dedicatória, momento em que a voz de comando desafia a assembleia com a célebre pergunta: “Então (malta), e para (inserir dedicatória)…não vai nada, nada, nada?”, ao que todos respondem com um sonoro “Tudo!”. A provocação repete-se, a resposta também, num jogo de chamada e eco que cria o ambiente certo para o que vem a seguir. Entra então a segunda parte, a aclamação, conduzida por quem, com “cagança” e “pujança”, anuncia a chegada do F-R-A e desencadeia a sequência das vogais FRA, FRE, FRI, FRO e FRU, repetidas pela assembleia, até culminar na explosão final de “Aliqua, chiribiribi-tá-tá-tá-tá,...

Insígnias de Praxe: A Tesoura

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Entre as emblemáticas Insígnias de Praxe, a Tesoura reúne tanto simbolismo como controvérsia. A sua história vai além de um simples instrumento de corte, remontando às origens da Tradição Académica e das práticas punitivas e religiosas da sociedade ocidental. Por possuir um antigo historial ligado aos ritos com Caloiros, talvez importe entender o seu significado à luz da origem da palavra. Do Latim, tonsoria , “o que serve para cortar”, remete imediatamente para a tonsura, que se refere tanto ao ato de cortar parte do cabelo simbolicamente, como ao corte que do ato resulta. A tonsura tem origem no Direito Canónico, como um símbolo de entrega espiritual, um sinal de desprendimento, renúncia e devoção. Com o passar do tempo, este gesto passou também para o Direito Penal, transformando-se numa punição pública e humilhante. Diversos forais municipais portugueses referem a pena de tonsura aplicada a traidores ou mulheres adúlteras, já sem valor religioso, mas como marca de desonra e escárni...

Canção de Coimbra

Enquadramento geral A canção de Coimbra, é uma designação atribuída a um conjunto muito vasto e diversificado de géneros e práticas musicais associadas sobretudo, mas não só, à tradição académica da Universidade de Coimbra. Apesar de serem utilizadas outras denominações para as tradições musicais associadas à canção de Coimbra (como fado de Coimbra, canto de Coimbra, serenata coimbrã, balada coimbrã, toada, trova…) a designação “Canção de Coimbra” permite englobar outros géneros musicais além do fado, evitando igualmente a conotação exclusiva com o fado de Lisboa. Essencialmente uma tradição masculina protagonizada por estudantes, professores e futricas , a canção de Coimbra constitui um conjunto de práticas musicais com raízes e desenvolvidas em contexto universitário. As origens e o desenvolvimento histórico do género ainda necessitam de um estudo mais aprofundado e sistemático. A sua génese está no fado de Lisboa, mas a partir da transição para o século XX e durante as duas primeira...